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three lions

                  

 


 

Mutação dos Média (2009/10)
1.º & 2.º Semestres   (UNL/FCSH/DCC)

Programa
Avaliação
Textos

          
1º semestre

 

PROGRAMA

 Se toda a cultura é indissociável de uma artificialização da experiência, o artificial vai ganhando consistência à medida  que a técnica se torna dominante. O artificial revela-se como uma outra modalidade do «natural», afectando o interior e exterior da cultura. É o caso, por exemplo, da linguagem. Se a oralidade parece estar próxima da natureza, modulando  sons que, em si mesmos, são puro «ruído», enquanto sistema de articulação é altamente artificial, envolvendo o som nas codificações da língua. Isso torna-se manifesto e explícito com a invenção da escrita. Da invenção da escrita à tipografia e, desta, à máquina de escrever e ao teclado de computador, vai todo um percurso que já estava implícito na própria oralidade, ou que esta possibilitava.

A crescente requisição da experiência pela técnica – característica primordial da modernidade -  revela-se, entre outras características, pela maneira como os objectos técnicos se vão disseminando pela experiência, indo das máquinas a associações mais abstractas e informacionais. O efeito mais imediato é o da implantação de dispositivos mediáticos que se tornaram omnipresentes. Sendo um fenómeno especificamente moderno, a partir do século XIX meios como a fotografia o cinema ou o gramofone operaram uma nova mutação cujas consequências ainda nos afectam. O efeito essencial desta mutação foi, como disse Rilke, uma fragmentação das percepções que acompanha a diversificação dos media e a sua dispersão conflitual, bem patente nos grandes media de massa que caracterizaram o século XX.

Uma nova mutação está em curso no momento terminal da modernidade. Referimo-nos à maneira como os computadores e as ligações em rede, em fibra óptica ou wireless, estão a operar um «convergência» ou composição dos media, afectando a totalidade da experiência, recuperando os antigos media para o ciberespaço, ao mesmo tempo que, quase instantaneamente, «arquivam» e reciclam o real. Os novos media são processadores do real.

Em suma, a mutação dos média um fenómeno complexo, sendo ao mesmo tempo influenciada pelas condições sociais, mas também pela evolução da técnica, bem como pela paisagem dinâmica que que determina o aspecto do real.

O programa procurará dar conta deste complexo de relações, desenvolvendo-se nos seguintes momentos:

1) Breve discussão sobre a noção de «mutação dos média», dando especial ênfase à maneira como ficou registada na cultura e às afecções que suscita, nomeadamente ao carácter «inquietante» (Uncanny/Unheimlich) que caracteriza o novo (Freud).

2) Análise da centralidade da técnica na origem da mutação dos média, a qual constitui actualmente um operador essencial de mediação. Estudaremos muito particularmente as perspectivas de Georges Simondon e de Martin Heidegger, procurando mostrar que através da noção de dispositivo que existe uma diferença essencial entre media e bjectos técnicos.

«3) Genealogia da abordagens dos media de Walter Benjamin, ainda altamente influente, de modo a apreender a constelação global – o dispositivo poético - em que os média se inscrevem e, simultaneamente, alteram

4) Panorâmica de algumas das principais teorias contemporâneas sobre a mutação dos média, dedicando especial atenção a Friedrich Kittler, Rosalind Krauss, David Bolter, Lev Manovitch e Vilém Flusser.

5) Argumentaremos, em conclusão, acerca da necessidade de elaborar os fundamentos de uma «crítica da economia geral», de que os media são um dos principais operadores.

 

Programa (download)

 

 1.  Introdução: Sobre a noção de «mutação»/mudança dos média.

 2.  A técnica como operador da mutação mediática

 3.  Para uma genealogia da mutação dos media: a perspectiva de  Walter Benjamin

 4.  Teorias Contemporâneas da mutação dos média

 5.  Conclusão: A necessidade de uma crítica da economia geral

 

 

Docente: José A. Bragança de Miranda  

 

A) Sobre a avaliação

 

     Os textos abaixo discriminados são de leitura obrigatória e servirão de base para a avaliação na disciplina, cabendo ao docente escolher os excertos principais..

     Cada um dos textos apoia um ponto da matéria a ser debatido na turma, e deverá ser previamente lido pelos participantes no curso. Essa participação será levada em conta na avaliação contínua. A avaliação consiste num teste incidindo sobre toda a matéria efectivamente dada.

 

NB: O teste terá lugar na última aula do semestre.

 

             

               

 

 B) Textos Obrigatórios[1]

Introdução: As afecções da mudança e da transição maquínica

                   GERAL:
    
            José A. Bragança de Miranda:  Envios. Uma experimentação filosófica na Internet, Lisboa,
                Vega, coll. Passagens, 2008. (não fornecido)

                  

a)  Tom Gunning: “Re-newing old technologies: Astonishment, Seconde nature, and the Uncanny in technology from the previous Turn-of-the-Century» in Thorburn, Rethinking Media Change: The Aesthetics of Transition, Mass., MIT Press. (download)

b) Sigmund Freud: «Uncanny» (download

c) Nadar, «Balzac and the Daguerreotype”  in My Life as a Photographer (1854)(download)

d) Rilke, «Primal Sound» (1919)(download)

 

TEXTO DE APOIO:

G. Thorburn: Introduction to Rethinking Media Change: The Aesthetics of Transition, Mass., MIT Press (download)

 

A.  A técnica como operador da mutação mediática

               

a)     Giorgio Agamben: «What is an the Apparatus» in WHAT IS ANAPPARATUS? and Other Essays (2009).(download)

b)    Victor Hugo, »Ceci tuera cela» in Notre-Dame de Paris. (download)

c)     Paul Valéry, «La conquête de l’ubquité» (1928)(download)

d)    Gilbert Simondon: Introduction to On the Mode of Existence of Technical Objects (1958) (download) / «Sobre a tecno-estética: Carta a Jacques Derrida»(download)

e) Martin Heidegger: «A questão da técnica» in Essais et Conférences, Paris, Gallimard  (download)

 

TEXO DE APOIO:

Anne Friedberg, «Urban mobility and cinematic visuality: the screens of Los Angeles – endless cinema or private telematics» in journal of visual culture, 2002,  Vol 1(2): 183-204 (download)


             

       

B.  Estudo de caso: A metodologia de Walter Benjamin

     a) W. Benjamin: «A obra de arte na época da sua reprodutibilidade técnica» (download )

     b) W. Benjamin «Teses Sobre a Filosofia da História» (download)

TEXTO DE APOIO:Esther Leslie, «The Work of Art in the Age of Unbearable Capitulation» in Walter Benjamin Overpowering Conformism, Londres, Pluto Press, 2000.(download)


C.  Teorias da mutação dos média

 

a)     Friedrich Kittler: «The world of the symbolic - A world of the machine» in Letrature, Media, Information Systems, G+B arts, Amesterdam, 1997. (download)

b)    Bernhard Siegert: “An epoch of the postal system» in Relays, Stanford University Press, 1999. (download)

c)     Jay David Bolter: «The double logic of remediation» in Remediation,Mass., IT Press. (download)

d) Lev Manovitch: «New Media from Borges to HTML» (download)

 

TEXTO DE APOIO: Lisa Gitelman,  Introduction: Media as Historical Subjects  in Always Already New, Media, History, and the Data of Culture, MIT Press, Cambridge, Massachusetts, 2006.(download)

 

 

 

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[1] - Os textos existentes em português deverão ser adquiridos pelos estudantes, os outros serão fornecidos pelo docente.


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   JBM, 2003                                                                                                                  e-mail: jbmiranda@netcabo.pt