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three lions
                     


 

O controlo do virtual (1996)
 

«...Interrupting the mutness of picturing with a seriously playful display of language...» Barbara KRUGER

O virtual que, filosófica e teologicamente, é uma categoria com longa história, está a tornar-se numa das categorias centrais da cultura contemporânea. Pretendemos analisá-lo na sua diferença ao que se poderia chamar «espaço de controlo» ou cyberspace. A relativa consistência que a tecnologia da informação está a dar ao virtual trouxe para a frente do problema decisivo do controlo, que se configura como uma relação «política» mediada tecnicamente. A cibernética de Wiener, os programas de Turing, a inteligência artificial, entre outras disciplinas, são tudo passos no caminho para a emergência do espaço de controlo. Parecendo confundir-se o virtual e o cyberspace - de facto têm muitos traços comuns - é essencial analisá-los separadamente. Seria possível mostrar que a tecnologização do virtual foi preparada pela metafísica, e a teologia ocidental, esse bloco que Heidegger denominava por «onto-teologia ocidental». Neste processo desempenhou papel determinante o esquema aristotélico da dynamis/energeia, modelo «metafísico» em que assentou toda a tecnologização ocidental1. Este modelo constituía um estrutura de realização, articulando potencialidade e actualização. Ou seja, de entre várias possibilidades apenas uma era realizada em cada momento (respeitando assim o princípio da identidade de que não é possível existir ao mesmo tempo A e não-A). Neste esquema o virtual identificava-se com a potencialidade, servindo apenas para hierarquizar as possibilidades realizáveis. Algo que começou por ser teológico e depois político, está a tornar-se hoje tecnológico2. O espaço de mediação clássica, que tendo uma dada relação ao controlo ainda não era o espaço de controlo3, implicava a prioridade dos fins, uma lógica do telos e um «demiurgo» (um artesão). Este espaço de realização, tinha a sua matriz na oposição entre possibilidade e existência, que se modulava numa série de outras oposições, como as de princípio e fim, de presença/ausência, de hard e de soft, de permanente e de efémero, etc. etc. A dualidade destas séries era absolutamente necessária, mas a verdadeira linguagem binária acabaria por ser a informática, que já era exigida pelo binarismo clássico e que a lógica clássica de certo modo antecipava. O virtual era o espaço do imaginário (determinado metafisicamente, mas também teologicamente ou politicamente), onde se intuíam, ou se construíam as possibilidades. Sendo semelhante ao espaço de controlo, o determinante era a ideia de realização de algo até então apenas possível4. Esse processo era ambivalente: por um lado, levava à separação entre ideal e material, entre presente e ausente, ou seja, realizando ora um, ora outro5; por outro lado, virtualmente estes elementos mantinham-se tensionalmente ligados. A técnica funcionava como auxiliar do processo de realização. Com a libertação da técnica que ocorreu na modernidade, a técnica acabaria por pôr em causa o próprio espaço onde funcionava, dominando-o crescentemente. Com as tecnologias da informação a técnica determina a realização dentro de processos de controlo abrangentes. Daí que o virtual emirja explicitamente, confundindo-se agora não com o espaço «real», mas com o espaço de controlo. Trata-se de distingui-los, muito dependendo dessa distinção. Nos nosso dias está-se a verificar o choque entre o espaço clássico da realização (cujo conceito político central era o de «dominação») e o espaço de controlo actual (o controlo é transpolítico) 6. Hoje o virtual está em tensão com a potencialidade, e de duas uma: ou o virtual é uma intensificação do potencial que suportava a realização, ou é uma forma de o menorizar, aligeirando a experiência da grande maquinaria da dominação. A incompreensão deste processo leva a que, um pouco ilusoriamente, se tente prolongar as estratégias teológicas e políticas de colonização do mundo que acompanhou a instalação da modernidade. Depois de colonizado o novo mundo, a América, hoje a América pretende colonizar o espaço da virtualidade, dotado de uma nova consistência, já não imaginária, mas não menos flexível e envolvente que o imaginário. O que leva a perigos, pois como diz Florian Rötzer: «The price we pay for the freedom of traveling weightlessly in virtual spaces, which are no longer subject to the laws of physics, is the totalitarian control over the environment, over each of our movements and perhaps over every thought as well, should we be successful in connecting the neural CRT to the computer»7. Como dizíamos, por razões graves que irão sendo explicitadas, é preciso pressupor uma tensão entre o virtual e o espaço de controlo. Não é possível concordar com as análises de Gilles Deleuze, bem importantes por sinal, sobre as «sociedades de controle», que teria substituído totalmente as formas anteriores de dominação. O problema é que é praticamente impossível distingui-los e as diversas reflexões de que começamos a dispor não ajudam muito a fazê-lo. O espaço de controlo, contrariamente ao espaço de realização, que era fechado e rigidamente centrado, é agora aberto e acentrado. Não é por esta característica que se distingue do virtual. Diria, ainda demasiado provisoriamente, que o virtual é «capturado» pelo controlo. De facto, o cyberspace é um espaço de modulações, de permanente retraçamento, de linearização absoluta, controlando as regras mais que as posições. Mas isso só é possível porque o virtual dá uma efectividade a todas as posições, sejam elas quais forem8. Bom exemplo disso é o hypertext. A possibilidade de controlo absoluto tem a ver com a possibilidade de uma tradução generalizada em linguagem digital, seja dos corpos seja das regras, seja das posições. O facto de uma imagem exigir mais bits não impede que a sua ocupação desse espaço seja idêntica à da escrita. O cyberspace opera uma espécie de linearização do virtual, estabilizando-o como espaço de suporte. Ou seja, para se transformar o espaço virtual em algo controlável este tem de ser linearizável, tudo se reduzindo a uma banda de dados de computador (como é exemplificado pelo programa Genoma). Depois é preciso um controlo desse controlo, e portanto uma linearização de segundo nível e por aí fora, numa circularidade que ocorre fora do tempo, a que paradoxalmente se chama «tempo-real»9. Como mostra William Burroughs é um tempo da morte infinitamente suspenso sobre o espaçamento do controlo. À pergunta: «If control's control is absolute why does control need to control?» vem a resposta sintomática: «Control needs time»10. Ou seja a única coisa que o controlo precisa é de tempo, mas para o abolir e realizar-se como controlo. Toda a necessidade ou desejo, é uma forma de dar tempo ao controlo11. Tese extraordinária que ainda está por explorar. Nos nossos dias ainda mal podemos começar a experienciar o que está a ocorrer. De facto, este processo está ainda a dar os primeiros passos, tendo muito de imaginário. Sintomaticamente foi o imaginário que começou a ser invadido pelo espaço de controlo, como o revela o enorme desenvolvimento dos jogos de computador, que está a constituir uma cultura própria. Esses jogos foram, como diz Ed Keller «one of the primary examples of an extension into cyberspace of the operative realm of the virtual in a way that is specifically spatial (as an extension of the subject into a virtual space through telepresence)»12. Este fenómeno que começou nos jogos está a afectar todos os domínios, indo dos arquivos à arquitectura, do entretimento as paixões. Dada a radicalidade deste controlo do controlo que é o cyberspace parece irrisória a tentativa da Realpolitik que procura servir-se do controlo para sobreviver. Apenas fortalecendo o que utiliza por necessidade absoluta. Contrariamente à visão utópica, como a do filósofo americano Mark Taylor, para quem com o virtual «o poder se tornou imaginário» e em que «ninguém está no controle»13. Ora, o problema agrava-se quando o controlo se se separa do poder. É que o poder enquanto dominação usava o controlo como auxiliar, enquanto que agora o controlo usa o poder como simulacro para melhor se disseminar. Por mais que o poder, tal como se estruturou na modernidade, procure vigiar todo o espaço, criando uma espaço de segurança total, acabou por o fazer em fracasso. A resposta a este fracasso passa pela intensificação do controlo (e da técnica, que tem aqui analogias surpreendentes, tendo passado de auxiliar para directora). Brian Massumi fala de uma potência ligada ao virtual e um poder ligado ao actual, como se o poder fosse apenas uma concretização e abaixamento do virtual. Mas as coisas parecem ser mais complexas: pois o virtual é o espaço de mediação imediata que tende a envolver todo o mundo, virtualizando-o. Enquanto cyberspace tudo se joga na actualização de certas possibilidades, provenientes do arquivo geral da experiência que é a cultura. Só que essa actualização é puramente simulacral, pois se tudo se pode actualizar é porque é indiferente aquilo que é actualizável. O virtual pode servir assim de espaço de suporte para a inscrição imediata do mundo e dos corpos no controlo. No fundo tudo depende de se conseguir distinguir a virtualidade da potencialidade. Será que se deve ao facto da existência, da efectividade? Na verdade, o controle implica pensar em relação à possibilidade. As possibilidades infinitas equivale, de algum modo, à virtualidade (que se torna efectivo sempre no singular), e em contragolpe, o cyberspace corresponde a finitização do virtual (que, paradoxalmente, leva sempre à indiferenciação). Mais do que falar-se de distingui-los, deveríamos dizer que estão misturados no mesmo processo. O carácter mesclado do controlo deve-se, tudo o indica, à tecnologização do virtual, mas também por à sua colonização a partir do arquivo da cultura. A instrumentalização do virtual como cyberspace ganha crescente força à medida que o virtual desaparece do imaginário e se torna em algo consistente, regrado, prolongando o espaço da cultura que é o nosso. A«impureza» do controlo actual, que ainda é obrigado a desdobrar-se no tempo, até se tornar controlo de controlo (Burroughs), passa por um fenómeno que estava preparado na modernidade e que agora emerge explicitamente. Refiro-me à criação de um bloco ultra-denso formado pelas máquinas, o desejo e os químicos. Perante os nosso olhos está a formar-se esse bloco, cuja génese remonta ao início da «modernidade». Revela-se assim como provisória a oposição entre razão e paixão, funcionando ambas como preparadoras desse «bloco», sendo no cyberspace que a essa fusão é possível, sem deslassamento14. A primeira, preparando os manipuladores e a segunda os pacientes. A pureza absoluta do controlo dispensaria a mescla de químicos (drogas) com as máquinas, tudo se ligando instantaneamente e sem obstáculos. A impureza de um controlo ainda hesitante, em torno do qual se luta, exige essa «álgebra do desejo» de que falou tão profeticamente William Burroughs15. A sua forma actual é a do cyberspace, sem que possamos ainda sonhar até onde pode chegar16. Intuímos, porém, que a sua natureza é alucinatória. Di-lo William Gibson no seu famoso romance: «o ciberespaço é uma alucinação consensual experimentada diariamente por milhares de milhões de operadores autorizados». Talvez suceda que o alucinatório acabará por não precisar desses meios rudimentares de ligação. Mas a própria existência dessa tendência revela o caminho por que estamos a adentrar-nos. Que levava já McLuhan a dizer em 1969 que «A atracção pelas drogas alucinogéneas é um meio de alcançar a empatia com o nosso meio ambiente electrónico, ambiente esse que é em si uma viagem interior sem drogas»17. O complicado aparato de luvas e de eléctrodos que hoje simulam a «realidade virtual» exige justamente formas de apagamento da realidade «real» do metal e das próteses para se poder atingir o estado alucinatório. A química acabará por o fazer, fazendo de todo o movimento, simples quimiotropismos. Ou enxertando-se directamente no cérebro, simples electrotropismos. O imaginário do zaping dissemina-se, tudo se resumindo a uma controlo remoto, mas não menos efectivo de uma «montage of attractions» (Sergei Eisenstein). Mas o que está subjacente a este movimento, é o prolongamento da vontade teológica de dominar a existência na sua totalidade, i.e., controlando todas as virtualidades e através dela realizando todas as possibilidades. Parodicamente já Jorge Luis Borges falara de um mapa à escala 1:1, que deixara de ser utilizado e que apenas se revela nas suas ruínas quando as tempestades de areia do deserto as traz à luz do dia. Esse mapa arcaico, que se confundia com a totalidade da Terra, era o mapa teológico, ou aquele que resultará de uma época pós-tecnológica. Esse lógico fantástico que foi Lewis Carrol refere também, numa das suas obras, a existência de um mapa desse género, que utilizaria o próprio território como mapa, com a vantagem de que seria muito mais fácil de actualizar que os outros mapas. Todo o acto seria cartografável, arquivável, pois a dimensão simbólica, da distância seria desnecessária nesse mapa, que aparentemente ainda pertence ao universo do simbólico, ou melhor, da mediação. Chegar-se-ia, assim, como diz Candeiras, a um «Ciberespacio como espacio virtual agregado y total»18. Esta nova possibilidade de realizar ateologicamente a totalidade é um processo de actualização, como se refere em Lewis, pois é isso que está em causa, que o mais mínimo movimento, seja retraçado, arquivável e isso só é possível com o controlo do virtual, enquanto espaço de efectividade em geral. Os perigos desta tendência são claros: criar-se-ia uma Terra única, onde tudo está suportado numa tecnologia evanescente, anulando-se as diferenças entre o humano e o não humano. Tendência celebrada pelos cyberpunks, mas que é inaceitável, pelo menos para aqueles que consideram que a liberdade humana implica uma ruptura com a «natureza». Na verdade está a tornar-se claramente problemática a fusão do virtual controlado tecnologicamente como cyberspace com a Terra, o inorgânico. Não é por acaso que tudo se joga na tentativa de povoar esse nova espaço, mas isso apenas reforça o automatismo do cyberspace. É preciso analisar as condições em que é possível lutar contra o controlo sem o reforçar. O que passa por uma outra compreensão do virtual, naquilo que ele tem de radicalmente distinto. É preciso privilegiar o virtual, não apenas enquanto virtualização da «realidade», em si mesma pesada, demasiado pesada, e que foi sempre a história das possibilidades vencedoras19, mas enquanto espaço outro, talvez da mesma natureza da Khora de Platão. Esse espaço outro foi algures descrito por Foucault como um «espaço do dehors». É um espaço de queda heteróclita de tudo, de fragmentação de toda a totalidade, sem princípio nem fim. Mas é nele que ocorre a incessante declinação da experiência em torno de singularidades não retraçáveis, que estão sempre «algures». O virtual seria a sombra da experiência, onde o real pode finalmente aceder sem terror nem violência. Esta simples possibilidade libertar-nos-ia de séculos de violência, de nihilismo. Enquanto a potenciação que lançou a máquina do controlo é negativa - a realização de uma possibilidade impede, desloca ou substitui outras - já o virtual é afirmativo. Várias possibilidades têm existência efectiva, num tempo que não é nem o da cronologia nem o da durée. Que é o tempo da finitude do humano. O actual empobrecimento da experiência, que é povoada pela telepresença, pela voz mediada tecnologicamente, pode ser contrariado pela arte, mas coloca como questão última a política20. Dada a sua fragilidade, que se apoia numa incompletude da técnica, numa insuficiência do controlo, tudo se joga no tempo, na tensão que ocorre entre ligação e desligação, entre velocidade e demora. Deste ponto de vista é incorrecto afirmar, como faz Kerckhove que «Il est désormais possible de réaliser une installation par laquelle le point de vue mental intérieur de l'imaginaire créateur peut être renversé techniquement vers l'extérieur, sans perdre tous les pouvoirs de contrôle qu'il possède sur la fabrication, la modification et la substitution des images mentales»21. Porque se misturam aí duas coisas bem distintas: a efectivação de possibilidades que não negam outras, i.e., que não têm de destruir outras para se actualizarem, mas também a ideia de uma totalidade de controlo que impeça a entrada em pane da tecnologização do virtual. Mas justamente enquanto o virtual é o «espaço do dehors», já o cyberspace é a negação da exterioridade, a imediaticiade da ligação de tudo com tudo. A vontade de controlar o controlo apenas o potencia. Mas também não é possível abandonar o espaço aberto pelas novas tecnologias. O fracasso, chegados ao ponto a que chegamos, será mais catastrófico do que em qualquer outra altura da história22. É preciso saber responder a este perigo, Daí que se precise de uma arte da distância, de um política da divisão, de uma lógica da declinação, que salve tudo o que fizemos de nós, deixando suspensa na sua exterioridade virtual. William Burroughs dá-nos uma lição política ao lutar esteticamente contra a linearização, a ligação forte. A sua obra foi das poucas que, neste século, conseguiu pensar as condições em que é possível intervir na fusão das máquinas, do bioquímico e das paixões, que constituem o bloco alucinatório que nos atrai irremediavelmente. E cujo término equivaleria à pura vitória do controlo ou à barbárie.

José A. Bragança de Miranda

1 - Nos últimos anos tem-se vindo a consolidar o interesse pela maneira como Aristóteles articula a potencialidade e actualidade. O estudo pioneiro é o de Martin Heidegger: Aristoteles Metaphysik IX. Há tradução francesa: Heidegger - Aristote. Métaphysique. De l'Essence et Réalité de la Force, Paris, Gallimard, 1991)

2 - Sobre as implicações políticas e tecnológicas do esquema da potencialidade, cf. Christoph Flüer - «Quod racio principatis et subjecti sumitur ex racione actus et potentie» in REVISTA DA FACULDADE DE CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS, 1 VOL, 1994, PP.127-142.

3 - Não por acaso no mito do progresso pressupunha-se a sua realização automática sem qualquer esforço acessório e exterior, um pouco já como Adam Smith falava da «mão invisível» do mercado, dispensando toda a intervenção.

4 - Não por acaso a modernidade, enquanto predomínio da realização, era dominada pela ideia de projecto e de programa. Cf. o meu livro Analítica da Actualidade, Lisboa, Vega, 1994.

5 - Por exemplo, na política surgiam os dois irmãos inimigos, a Realpolitik e a utopia, por dissolução da oposição entre material e ideal. Mas os dois comunicavam no espaço do imaginário virtual.

6 - Derrick de Kerckhove reconhece a existência de «dois» virtuais: «jusqu'à la révolution industrielle, consécration de la dynamique de la machine à imprimer, c'est à dire l'univers newtonien de la pesanteur, nous avons eu affaire à du virtuel "lourd", fortement conditionné par des finalités économiques et techniques. La métaphore technique fondamentale a été celle de l'énergie, potentiel brut plutôt que virtuel. Mais depuis que nous sommes entrés dans l'ère dite de l'information, du code électronique et des types de programmation qui ne passent même plus par le langage humain, le virtuel est devenu de plus en plus léger, son immatérialité invitant l'immatérialité des techniques elles-mêmes». Mas o virtual é um fenómeno bem mais lato.

7 - Cf. RÖTZER, Florian - «Virtual Worlds: Fascinations and Reactions» in PENNY, Simon (org) - Critical issues in Electronic Media, New York, Sunny, 1995, p.120.

8 - Daí o carácter ilusório de teses como as de Lyotard, na Condition Post-Moderne, sobre a invenção das regras como forma de responder ao império do tecnológico. Estas também podem ser virtualizadas, dependendo apenas da mudança de nível. E todo o salto de nível pode ser linearizado num nível superior.

9 - Cf. Jean Baudrillard - « The Virtual Illusion: Or the Automatic Writing of the World» in THEORY, CULTURE AND SOCIETY, Vol XII, 4, 1995, pp. 97.108.

10 - BOCKRIS, Victor - A Report from the Bunker with William Burroughs, Londres, Vermillion, 1982. 11 - Tese já anunciada por Rousseau no seu ensaio sobre as artes e as ciências.

12 - Cf. Ed Keller - «Cinematic Thresholds: Instrumentality, Time & Memory in the Virtual», mantis@basilisk.com, 1995.

13 - Cf. Imagologies. Media Philosophy, Londres, Routledge, 1993.

14 - O que é novo é a capacidade de jogar com a razão e a paixão ao mesmo tempo. Assim, enqaunto que anteriormente o espaço diurno da razão estava nitidamente separado do espaço nocturno do prazer, hoje com o novo espaço eléctrico essa distinção começa a esbater-se.

15 - Cf. o excelente tratamento de Eric Mottram - William Burroughs. The Algebra of Need, Londres, Marion Boyars, 1977.

16 - Os cyberpunks sonham já com os cyborgs.

17 - Marshall McLuhan - Entrevista à Playboy, 1969. Fala-se que Jerry García, do grupo rock Grateful Dead, depois de ter assistido a uma demonstração da realidade virtual, teria comentando: «Conseguiram proibir o LSD. Mas não vejo como irão conseguir proibir isto».

18 - Cf. CANDEIRA, Javier - «Bienvenidos à la Galaxia Virual in BALSA DE MEDUSA, 30/31, 1994, pp.97-116

19 - Estou a referir-me a uma conhecida passagem das «teses sobre a filosofia da história» de Walter Benjamin.

20 - Mas é uma política que mal estamos preparados para compreender, mas que não se confunde com a Realpolitik. O exemplo da administração Clinton revela a vontade controlar o controlo, sendo um bom exemplo da maneira como os políticos clássicos tentam colonizar este espaço.

21 - KERCKHOVE, Derrick de - «Le virtual, imaginaire théchnologique» in TRAVERSES, N° 44.

22 - Um breve exemplo: a falha do controlo dos paióis de pólvora no século passado, podia provocar uma quantidade de mortes e destruições apreciáveis, mas a falha de controlo ao nível da bomba nuclear, pode pôr em causa toda a humanidade. E o que dizer da experimentação com os vírus?


 
 
 

 
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